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EUA, Paquistão, perto de guerra aberta; Ultimato chinês adverte Washington Contra Ataque

Webster G. Tarpley, Ph.D.
TARPLEY.net
20 de maio de 2011

A China colocou oficialmente os Estados Unidos sob o aviso que o ataque planeado de Washington sobre o Paquistão será interpretado como um ato de agressão contra Pequim. Este aviso frontal representa o primeiro ultimato estratégico conhecido recebido pelos Estados Unidos em meio século, desde o alerta Soviético durante a crise de Berlim de 1958-1961, e indica o grave perigo de uma guerra geral que cresce do confronto EUA-Paquistão.

“Qualquer ataque no Paquistão seria interpretado como um ataque à China”

Em resposta a relatos de que a China tem pedido aos EUA para respeitarem a soberania do Paquistão, e na sequência da operação Bin Laden, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Ya a 19 de Maio numa conferência de imprensa afirmou o categórico pedido de Pequim para que “a soberania e a integridade territorial do Paquistão sejam respeitadas”. De acordo com fontes diplomáticas Paquistanesas citado pelo Times of India, a China tem”avisado em termos inequívocos, que qualquer ataque contra o Paquistão seria interpretado como um ataque à China”. Este ultimato teria sido entregue a 9 de Maio durante o diálogo Estratégico China-EUA e nas conversações econômicas em Washington, onde a delegação chinesa foi liderada pelo vice-primeiro ministro Wang Qishan e pelo conselheiro de Estado Dai Bingguo.1 As advertências chinesas estão implicitamente apoiado pelos mísseis nucleares da nação, incluindo uma estimativa de 66 mísseis balísticos intercontinentais, alguns capazes de atacar os Estados Unidos , mais 118 mísseis de alcance intermediário, 36 submarinos lançadores de mísseis e numerosos sistemas de curto alcance.

O apoio da China é visto por observadores regionais como criticamente importante para o Paquistão, que de outro modo é apanhado entre as pinças dos EUA e da Índia: “Se a pressão dos EUA e da Índia continuar, o Paquistão pode dizer que” a China está atrás de nós. Não se pense que estamos isolados, temos uma potencial superpotência connosco’”, afirmou Talat Masood, um analista político e general paquistanês aposentado, à AFP.2

O ultimato chinês veio durante a visita do primeiro-ministro Paquistanês Gilani, em Pequim, durante o qual o governo anfitrião anunciou a transferência imediata e sem custos de 50 caças estado-da-arte JF-17 ao Paquistão.3 Antes de partir, Gilani sublinhou a importância da aliança do Paquistão com a China, proclamando: “Estamos orgulhosos de ter a China como nosso melhor e mais confiável amigo . E a China terá sempre o Paquistão de pé a seu lado em todos os momentos …. Quando falamos desta amizade como sendo mais alta que os Himalaias e mais profunda que os oceanos tal capta realmente a essência da nossa relação”.4 Estas observações foram lamentadas por porta-vozes dos EUA, incluindo o senador republicano de Idaho Risch.

A crise latente estratégica entre os Estados Unidos e o Paquistão, explodiu em toda a força em 1 de Maio, com a invasão unilateral e sem autorização do comando Americano acusado de ter morto o fantomatico Osama bin Laden num edifício em Abottabad, em flagrante violação da soberania nacional do Paquistão. O calendário destas operação de cosmética militar concebida para inflamar as tensões entre os dois países não tinha nada a ver com uma alegada Guerra Global ao Terror, e tudo a ver com a visita em final de Março ao Paquistão do príncipe Bandar, chefe do Conselho de Segurança Nacional da Arábia Saudita. Essa visita resultou numa aliança de fato entre Islamabad e Riad, com o Paquistão a prometer tropas para derrubar qualquer revolução colorida (Nota 1 do tradutor) apoiada pelos EUA no reino, enquanto estende a proteção nuclear para aos sauditas, tornando-os menos vulneráveis ​​às ameaças de extorsão por parte dos EUA de abandonar a monarquia rica em petróleo à mercê da simpatia de Teerão. Uma decisão conjunta por parte do Paquistão e da Arábia Saudita para sair fora do império dos EUA, independentemente do que pensamos destes regimes, representaria um golpe fatal para o decadente império dos EUA no sul da Ásia.

Em relação às afirmações dos EUA sobre o suposto ataque de 1 de Maio a Bin Laden, são uma massa de contradições desesperadas que mudam de dia para dia. A análise desta história é melhor deixá-la para críticos literários e escritores de crítica teatral. O único fato sólido e incontestável que emerge é que o Paquistão é o principal alvo dos EUA – o que intensifica a política anti-Paquistão pelos EUA, que está em vigor desde o infame discurso de Obama em Dezembro 2009 em West Point. Continue lendo »

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AL QAEDA: INSURREIÇÃO DOS PEÕES DA CIA DESDE A LÍBIA AO IÉMEN

Webster G. Tarpley, Ph.D.
TARPLEY.net
3 de Abril

Depois de duas semanas de ataque imperialista, a Líbia está a ser destruída por terroristas da Al Qaeda, guerra civil, ataques aéreos da NATO, VANTs (veícuos aéreos não tripulados) predadores e aviões c-130 – tudo graças aos rebeldes da Al Qaeda de Cyrenaica apoiados pela CIA. Comandos dos EUA, Inglaterra, França e Holanda tomaram o comando das forças rebeldes, e estão a armá-las com armas modernas em violação flagrante da resolução de 1973 sobre o embargo de armas especificado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A al Qaeda também está a roubar armas por sua conta, como o presidente do Chade reportou. A esperança da retórica desta revolução colorida (nota 1) idiota dissolveu-se, expondo a hedionda realidade de um desejo brutal, cínico e imperialista para destruir o moderno estado-nação.

Triumvirato Rebelde do Terror Reina em Darna

De acordo com o Daily Telegraph de Londres de 26 de Março, Darna (também pode escrever-se Derna ou Darnah) uma cidade chave no coração entre Benghazi eTobruk,é comandada por al-Hasidi,um terrorista controlador da al Qaeda que treinou e privou com Osama bin Laden no campo terrorista de Khost no Afeganistão. Hasidi gaba-se de ter mandado 25 combatentes combater as forças dos EUA e NATO no Afeganistão; perguntam-nos quantos conseguiram matar.
Hasidi foi um prisioneiro de guerra dos EUA depois de ter sido capturado pelos Paquistaneses, mas diz ao Wall Street Journal em 2 Abril que agora odeia os EUA “menos do que 50%” sugerindo que os Americanos podem redimir-se aplacando a al Qaeda com armas, dinheiro, e suporte diplomático. A seu lado na liderança da cidade está Sufian bin Kumu, o chofer de Osama bin Laden, outro terrorista que foi colega na Baía de Guantanamo durante seis anos. Entre os pais fundadores da cidade de Darna também está al-Barrani, um membro devoto do Grupo Islâmico de Combatentes Líbios, que se juntou à al Qaeda em 2007.

Este bando de desordeiros, psicóticos, e criminosos é financiado pela CIA como uma eficaz elite dominante no futuro da governação democrática da Líbia. Na verdade, o conselho rebelde de Benghazi, pesadamente engordado com terroristas da al Qaeda, apenas pode presidir à queda do país num caos de tribalismo, senhores da guerra, e sindicatos criminosos que trarão o fim da própria civilização na àrea.
Parece ser precisamente este o objectivo da política dos EUA, e não apenas na Líbia.

Darna, Nordeste da Líbia: a Capital Mundial do Recrutamento Terrorista

Estas pessoas não são atípicas. Um estudo de Dezembro de 2007 da Academia Militar dos EUA em West Point mostrou que a Líbia (7 milhões de população) providenciou 20% de todos os combatentes da al Qaeda através da fronteira Síria para o Iraque à época. A mesma cidade de Darna (60 000 de população) foi só por si o maior centro de recrutamento terrorista no mundo, ultrapassando Riad, na Arábia Saudita (4.5 milhões de população); a capital rebelde de Benghazi também está colocada entre as quatro maiores. A Líbia mandou duas vezes mais terroristas para o Iraque per capita do que a Arábia Saudita, e 85% dos Líbios que escolheram uma especialidade escolheram a de Bombistas Suicidas..
O Economist de Londres, a BBC Newsnight, e um crescente número de patos bravos promotores de guerra pro-Obama estão a tentar obscurecer os factos tal como são. Estes agora são terroristas bonzinhos, pluralistas e democráticos, dizem eles. A operação usual e limitada da CIA conhecida como Wikileaks forneceu adequadamente umas mensagens doutourais alegando mostrar que foi o apoio dos EUA a Kaddafi que levou estes fanáticos ao desespero e ao terrorismo– o que é também parte do plano da CIA. A 1 de Abril, os rebeledes de Benghazi usaram a presença dos media nas orações de sexta-feira para mostrar sinais negando que a rebelião era conduzida pela Al Qaeda. Se assim for deixem-nos expulsar o triumvirato de terror de Darna, e revelar os nomes das dúzias ou de mais membros anónimos do conselho dos rebeldes que são suspeitos de pertencer à Al Qaeda.

Hillary Clinton reconhece que não tem “100% de conhecimento” sobre os rebeldes, e o almirante dos EUA Stavridis, comandante da NATO, disse ao Senate Armed Services Committee que vê apenas uma “chama distante” da Al Qaeda. Na verdade o papel central da Al Qaeda não é o de uma chama distante mas é brilhante como o sol do meio dia sobre o Mediterrâneo.

Quatro pragas na Líbia

A insurreição na Líbia tem quatro componentes. A primeira é providenciada pelos Ingleses, e consiste nas tribos monárquicas e racistas de Harabi e Obeidat do corredor Benghazi-Darna-Tobruk, cuja cultura tradicional é a do obscurantismo da Ordem Senussi. Durante a resistência ao colonialismo Italiano estas tribos aliaram-se com os Ingleses e eram premiadas vendo a liderança da Ordem Senussi colocada no trono na pessoa do rei Idris I, que foi apeadao por Kaddafi em 1968. Privados do seu papel de monarcas da classe dominante, estas tribos odeiam os negros ou todas as pessoas de pele negra pro-Kaddafi das tribos Fezzan do sudoeste da Líbia, e isto tem levado a vários linchamentos e massacres de muitos Africanos negros do Chade, Mali, e Sudão trabalhando na Líbia, que os media ocidentais ignoraram. Enan Obeidi, a mulher que alega ter sido violada pelas forças de Kaddafi, é uma Obeidat de Benghazi, e isto coloca a sua história sob suspeita. Para os media, é uma nova edição da farsa dos bebés nas incubadoras do Kuwait em 1990 (nota 2), feita para atiçar a histeria de guerra contra Kaddafi.

Dois ingredientes vêm da CIA. Todos são da Al Qaeda, fundada como a Legião Àrabe da CIA contra a Rússia pelo então deputado director da CIA Robert Gates– o actual Secretário da Defesa– no Afeganistão em 1981-82. Outro ingrediente da CIA é a Frente Líbia de Salvação Nacional, sediada primeiro no Sudão e depois no Norte da Virgínia que está supostamente a enviar o valioso Khalifa Hifter da CIA para liderar os militares rebeldes, provavelmente para cobrir a presença dos tipos da Al Qaeda.

Um quarto componente vem da contribuição dos Franceses, que montaram a queda de um associado de topo de Kaddafi, Nouri Mesmari no passado outono, tal como reportado pelo Maghreb Confidential. A claque de generais à volta de Mesmari ajudou a fomentar motins contra Kaddafi no nordeste da Líbia.

E a Líbia não é única. No Iémen, operacionais da Al Qaeda são componentes decisivos da tentativa de golpe da CIA contra o presidente Saleh, que os EUA promovem de modo a fragmentar o Iémen em dois ou mais estados menores. Aqui o líder da Al Qaeda é al-Shihri, um Saudita que foi libertado juntamente com vários colegas de Guantanamo e mandado para o Iémen pela administração Bush, alegadamente como gesto humanitário, mas na realidade para providenciar liderança para a próxima desestabilização.
Também no Iémen está o nascido Americano Anwar Awlaki, conhecido no meio como “Awlaki o lacaio da CIA”, um óbvio agente duplo que que tem sido usado para dar à Al Qaeda o selo de aprovação a dúzias de terroristas incluindo os seis de Fort Dix, o Major Hasan de Fort Hood, e Mutalab da Nigéria, o bombista do Natal de 2009.

Na Síria, o objectivo CIA é privar o Irão de um aliado, para isolar o Hezbollah, e expulsar a Rússia da estação naval de Tartus, e construir o poder da Irmandade Muculmana, que é a força principal até agora a promover a insurreição.

Peçam ao Departamento de Estado para Explicar
Porque é que os EUA estão a Armar os Terroristas da Al Qaeda

O Primeiro Ministro Turco Erdogan avisou acertadamente contra a política da NATO de armar os rebeldes Líbios, uma vez que isto poderia “conduzir a terrorismo”. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Russo Lavrov também condenou qualquer ajuda militar da NATO aos rebeldes. O pedido de cessar fogo do Papa Bento XVI vai na mesma direcção. A Rússia, Turquia, China e outros governos devem pedir formalmente explicações ao Departamento de Estado porque é que os EUA estão a dar aos mais perigosos terroristas internacionais armas modernas e treino, enquanto se propõem premiá-los com grandes quantidades dos 32 biliões de dólares dos fundos congelados do governo Líbio, mais a participação nos lucros de venda de petróleo. Isto é o suficiente para que o Mediterrâneo, o mundo Àrabe, e o Sul da Europa fervam com refugiados, pirataria, rebeliões, e guerra.

Sob Bush e Cheney, a alegada presença da Al Qaeda foi usada como um pretexto para bombardear e invadir. Sob Obama, o moribundo e enfraquecido imperialismo Anglo-Americano está a usar a Al Qaeda como a sua infantaria irregular num esforço para assediar e danificar as nações-estado no mundo, desintegrando-as em caos tribal, sectário, criminoso e senhores de guerra. Na fase actual, a Al Qaeda recomeçou o seu estatuto inicial como guerrilhas da CIA. Se é cético, veja na cidade de Darna na Líbia.

Nota 1 (revolução colorida) – uma revolução falsa provocada e apoiada por serviços secretos a fim de instalar um regime fantoche ou desestabilizar a àrea.

Nota 2 – para atiçar a invasão ao Iraque (em 1991) alegou-se falsamente que os Iraquianos estavam a matar crianças nos hospitais do Kuwait desligando-as das incubadoras.

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